Todo mundo sabe que, de tempos em tempos, o Fantástico ou o Domingo Espetacular ou qualquer outro programa-que-passa-à-noite exibe alguma matéria-clichê sobre os “perigos da internet” (leia essa expressão com a voz macabra do Cid Moreira). É impressionante. Daí, como uma receitinha de bolo, eles trazem à tona questões relacionadas à privacidade, segurança e todo aquele blá, blá, blá que a gente já conhece.
Nas minhas andanças pelos portais, me deparei com essa matéria da Folha, em que um especialista fala da importância de “educar a população para usar as novas mídias de forma correta”. Mais uma vez, não encontrei nenhuma novidade — os conselhos e avisos são sempre os mesmos, além de serem, digamos, um tanto óbvios.
…Ou estou simplificando demais?
Depois que essa menina de 17 anos foi assaltada após postar no Facebook uma foto cheia de dinheiro, eu passei a não duvidar de nada. Nem das senhas mais bobas que as pessoas usam na internet.
Vocês viram que, nos últimos dias, alguns usuários de sites como o Linkedin, o LastFM e o eHarmony tiveram as suas senhas roubadas. Situação chata, é verdade, mas tem lá o seu lado engraçado (ou seria trágico?): o nível das senhas chega a dar pena. Deixando de lado os 1234s e ABCDs da vida, é de se surpreender a quandidade de gente que opta, no Linkedin, por palavras como “link”, “job” e “work”, todas relacionadas ao ambiente profissional.
Nas com variações de letras, há também muitos que usam combinações de “QWERTY”. Confesso que, há poucos anos atrás, vi um amigo usando essa senha e achei g-e-n-i-a-l. QUE ingenuidade, né? Dentre as várias repetições, muitas pessoas também apostam em senhas com palavrões — 3 entre 30 eram desse tipo –, enquanto, no outro extremo, há gente mais “zen”, que opta por senhas com as palavras “god”, “angel”, “jesus” e…”iloveyou”.
Diante disso, preciso constatar aqui: sempre achei que as matérias-clichê sobre segurança na internet eram simplesmente redundantes e não traziam nada de novo. Realmente, elas são. Mas é que nem matéria sobre os “males do cigarro” no Globo Repórter (leia isso com a voz do Cid Moreira, de novo). Todo mundo sabe que faz mal mas, em pleno século XXI, ainda tem geração nova que acha legal. Descolado. Cool. Tudo bem, gente! Eu aceito de tudo nessa vida, menos quem usa 1234 como senha!
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